segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Primeiros parágrafos:


A queda da casa de Usher (Fall of the House of Usher)
Por Edgar Allan Poe

"Durante todo aquele triste, escuro e silencioso dia outonal, com o céu encoberto por nuvens baixas e opressivas, estive percorrendo sozinho, a cavalo, uma região rural singularmente deserta, até que enfim avistei, com as primeiras sombras da noite , a melancólica Casa de Usher. Não sei por quê, mas, assim que entrevi a construção, um sentimento de intolerável tristeza apoderou-se de meu espírito. Digo intolerável porque essa impressão não era suavizada por qualquer sensação meio prazenteira, porque poética, com que a mente geralmente recebe até mesmo as mais sombrias imagens naturais de desolação e de terror."

A Filha do Gigante de Gelo
por Robert Erwin Howard

“O fragor metálico das espadas e machados de guerra havia se extinguido; os gritos já não ecoavam no céu, e agora reinava o silêncio sobre a neve manchada de vermelho. O pálido sol, que brilhava com uma luz cegante sobre os campos gelados e planícies cobertas de neve, arrancava faíscas de prata das couraças fendidas e das armas quebradas disseminadas pelo campo de batalha em que jaziam os mortos. Mãos geladas ainda seguravam as empunhaduras das espadas; as cabeças, cobertas com elmos e viradas para trás em um último estertor, apontavam sombriamente contra o céu as barbas ruivas e douradas, como em uma última invocação a Ymir, o gigante de gelo, deus de uma raça guerreira.”

O chamado de Cthulhu (The Call of Cthulhu)
Por H. P. Lovecraft

“A coisa mais misericordiosa do mundo, creio eu, é a incapacidade da mente humana em correlacionar todo o seu conteúdo. Vivemos numa plácida ilha de ignorância em meio a negros mares de infinito, e não está escrito pela Providência que devemos viajar longe. As ciências, cada uma progredindo em sua própria direção, têm até agora nos causado pouco dano; mas um dia a junção do conhecimento dissociado abrirá visões tão terríveis da realidade e de nossa apavorante situação nela, que provavelmente ficaremos loucos por causa dessa revelação ou fugiremos dessa luz mortal rumo à paz e à segurança de uma nova Idade das Trevas.”

Frankenstein (Idem)
Por Mary Shelley

“Foi numa lúgubre noite de novembro que eu contemplei o resultado de meus esforços. Com uma ansiedade muito próxima da agonia reuni os instrumentos da vida em torno de mim, com os quais planejava infundir uma centelha de vida na coisa inerte que jazia a meus pés. Era já quase uma da manhã; a chuva tamborilava sombria nas vidraças, e minha vela estava quase no fim quando, sob a luz bruxuleante da chama quase extinta, eu vi o baço olho amarelo da criatura se abrir; respirou fundo, e um movimento convulsivo agitou seus membros.”*
• Este é o primeiro parágrafo do quinto capítulo, onde começava o manuscrito original.

Nenhum comentário: