quarta-feira, 15 de julho de 2009

O Deus esquecido na areia


Ao fim do terceiro dia de exploração neste planeta desértico, nos deparamos com as ruínas do que parece ter sido uma grande cidade. Enormes edificações, quase encobertas por gigantescas dunas, são a prova de que houvera uma civilização inteligente por aqui. Alguns restos mortais achados nos dão uma boa idéia de como eram os habitantes deste mundo. A julgar pelos membros e pela cabeça, eles se pareciam muito conosco.

Na manhã seguinte, encontramos uma construção de formato diferenciado, que especulamos ser um templo de adoração. Dentre as várias criaturas representadas em suas paredes, uma delas parece se repetir. Um ser de olhar triste, preso com os braços abertos em uma espécie de sinal formado por duas retas transversais. Esta imagem domina o templo. Logo a seguir, encontramos artefatos semelhantes nas habitações.

O achado mais impressionante veio três dias depois, na mesma cidade em ruínas. Descobrimos uma colossal estátua branca da figura repetitiva do templo. Seus braços abertos parecem abraçar o horizonte vazio, seu olhar fita o infinito. Ele deveria ser o deus para este povo. Seja quem for, não impediu o fim desta terra. Retornamos ao nosso planeta no dia seguinte. Aquele deus esquecido na areia jamais saiu de minha memória.



Continuando no clima apocalíptico de "Eu ainda estou aqui", este mini conto foi escrito para um fanzine virtual, mas eu perdi o prazo de inscrição...

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